Este tique também ataca os homens, embora com contornos e resultados diferentes. Nas mulheres, é basicamente o mal de que sofria a I*****. Pura e simplesmente, vivia convencida de que era a mulher mais bonita e com o corpo mais perfeito do mundo. A reboque dessa certeza vinham outras: Que todas as mulheres a invejavam, que nenhum homem lhe resistia e que o marido tinha tanta, mas tanta sorte por poder partilhar o espaço com ela a menos de 10cm que devia agradecer todos os dias da sua vida.
A I***** não era um trambolho, de facto. Tinha uns olhos bonitos, era baixinha, nem gorda nem magra, as pernas não se recomendavam por aí além para as saias acima do joelho e se as proeminências peitorais andassem alguns centímetros mais acima também não se perdia nada. Nestes pormenores, claro, só se reparava com atenção devido ao comportamento dela. Se não fosse tão convencida, seria aos olhos de todos uma mulher normal, desejável q.b. nas circunstâncias certas. Como, aliás, quase todas nós.
Um dia, a I***** comprou uma roupa nova, duma estilista famosa. Uma daquelas farpelas que são giras na passerelle, talvez também numa cerimónia exótica a revestir uma molhada de ossos de manequim, mas totalmente imprória (e até ridícula) para levar para o trabalho, que foi o que ela fez.
Quando chegou, de manhã, tudo paralisou. Os olhos viraram-se para ela e sustiveram-se respirações, em estado de choque. Alguém teve a coragem de perguntar:
- Oh I*****! Que diabo de roupa é essa???!!!
- Ora! - respondeu ela - é uma roupa que vocês não podem usar porque não têm um corpinho como o meu!
Aí, as pessoas até então caladas não se aguentaram, e o escritório inteiro rebentou numa gargalhada geral. O que, aos olhos dela, foi visto como mais uma manifestação de inveja.
Duas irmãs, um rei
Há 1 mês

