#5
Um belo dia, acompanhada que estava dum grupo de homens, uns mais velhos, outros mais novos, uns que conhecia melhor, outros pior… olhei para o panorama e tive uma das ideias tristes que de vez em quando a minha cabeça tem a infelicidade de gerar: A propósito duma conversa qualquer que já não sei qual era, disse qualquer coisa do género:
- E qual dos meninos é que quer baixar as calcinhas e levar umas palmadas, hein?
Disse aquilo tão séria e com uma cara de pau tão convincente que lá no meio, houve um que se convenceu que era verdade.
Mais tarde procurou-me, em privado. Começou a chamar-me “Minha Senhora”, “Minha Dona”, e disse-me que se eu quisesse podia usá-lo como cinzeiro, pôr-lhe uma trela, dar-lhe pontapés nas partes, tratá-lo pior que merda… Fiquei passada e mandei-o bugiar. Aí, acho que o anormal teve um orgasmo e a partir desse momento não me largou mesmo. Porra! Era um técnico de informática igual aos outros técnicos de informática todos que por aí andam! Juro-vos que agora mesmo, enquanto escrevo isto, está-me a dar uma vontade de rir incontrolável por me lembrar de tamanha bronca que me foi acontecer!
Depois, começou-me a mandar mails, dizia que estava ao meu dispor, que era o meu tapete, que o insultasse, que adorava ser pisado pelas minhas botas pretas de tacão alto e outras nojices do género. A mim, que a última coisa que poderia passar pelas minhas fantasias (mesmo as mais estúpidas) era ter um gajo a querer levar porrada!
Nunca lhe respondi e desapareci daquele círculo. Foi a única hipótese.