Na minha infância morei numa casa com árvores de fruto no quintal. Havia uma cerejeira, vários pessegueiros de raças diferentes, um diospireiro, uma nespereira, uma ameixeira branca e uma preta e um canteiro de morangos. Ao contrário do que eu via nos livros da Anita e do que me parecia ser normal em todo o lado, não havia maçãs. Nem laranjas. Nem pêras. Não é que não houvesse maçãs, laranjas e pêras lá em casa. Haver havia. Só que eram compradas na loja da D. Celeste. Do nosso mini-pomar só vinha a fruta doce e boa, aquela que era uma festa só de olhar. Aquela que se reserva para momentos especiais até no nome. Há muita gente com sobrenome Pereira ou Laranjeira, mas já viram alguém chamado Diospireiro? Não. Era aquela fruta que se comia, não porque se tinha fome mas porque se era guloso. Perguntei uma vez à minha mãe:
- Porque é que não plantamos uma macieira e uma laranjeira no quintal? Ou uma pereira?
- Para quê? - perguntou ela - Maçãs arranjam-se em qualquer lado!
Por isso me habituei até hoje a separar a fruta em dois grupos distintos: a fruta para comer e a fruta para comeeeeeeer!!!
Duas irmãs, um rei
Há 1 mês

