quarta-feira, 24 de junho de 2009

Levei os meus filhos a ver neve pela primeira vez ao vivo na Serra da Estrela pois está claro, que é onde os saloios vão para atirar bolas de água gelada uns aos outros. Embora todos tivessem achado a experiência interessante, foi a mais nova, então com dois anos, que ficou mais fascinada.
Durante uns meses, quando íamos ao super-mercado, chegávamos à peixaria e ela ficava ali aos pulinhos a gritar:
- Neve! Neve! Oh mãe, é neve!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Foi num daqueles concursos de televisão, onde eu estive em tempos. Levei a minha filha mais nova e a filha mais nova do meu marido, com idades muito aproximadas e, quando lá cheguei, apresentei-as como minhas filhas. Não valia a pena entrar em mais pormenores. Depois, durante as gravações, para pôr o pessoal à vontade (que é como quem diz para pôr o pessoal mais constrangido do que nunca), o animador de serviço que é aquele senhor que manda rir e bater palmas, resolveu meter-se com elas, em público e com dezenas de pessoas em estúdio. Perguntou-lhes a idade.
- Quinze - disse uma.
- Dezasseis - respondeu a outra.
- Pôxa! - retorquiu ele, que já dá para ver que era brasileiro - E não tem televisão lá em casa não?
...perante a risota geral e as caras aflitas de ambas, sem perceberem muito bem a piada, como é óbvio.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

ELA: O que é que eu ponho aqui onde diz "nome"?
EU: Depende. A senhora tem uma empresa constituída ou é empresária em nome individual?
ELA: Ai ai ai! Ai agora isso é que eu não sei nada.
EU: ??? Estou a perguntar se a senhora tem uma empresa ou se se foi só colectar às finanças para exercer a actividade de cabeleireira.
ELA: Ai ai ai! Mas isso é o quê? Eu não sei!
EU: D. R***, vamos lá com calma. A senhora tem uma empresa? Tem um nome daqueles que acabam em "unipessoal Ldª"? Ou não?
ELA: Ai ai ai! Sei lá, explique-me isso melhor.
EU: Mostre-me o seu cartão de pessoa colectiva.
ELA: É isto?
EU: Não, isso é o cartão de eleitor.
ELA: É isto?
EU: Não, isso é o cartão do banco.
ELA: É isto?
EU: Não, isso é o seu bilhete de identidade.
ELA: É isto?
EU: Isso mesmo! Mostre cá... A senhora é empresária em nome individual, por isso aí em cima põe o seu nome.
ELA: O nome todo ou como está aqui?
EU: O nome todo.
ELA: Mas eu no bilhete de identidade só assino o primeiro e o último.
EU: Sim, mas uma coisa é escrever o nome, outra é assinar. Eu estou-lhe a pedir que escreva o nome, assinar é só no fim.
ELA: Ai ai ai! Já não estou a perceber nada disto!
EU: Olhe D. R***, dê-me cá o impresso que eu preencho.
ELA (muito risonha): Sabe que de "brushings" eu percebo. Agora estas coisas, a senhora tem que me explicar como se eu fosse muito burra!
EU (só mentalmente): Mas tu és muito burra!

domingo, 21 de junho de 2009

ELA: Eu precisava duma planta da zona onde eu moro.
EU: A que escala?
ELA: Ai! Sei lá! A senhora veja aí! - e entregou-me um papel.
EU: Aqui diz que pode ser uma fotografia aérea obtida na internet. Se a senhora quiser pode fazer isso em casa e escusa de pagar por isto.
ELA: Ah mas eu de computadores e de internetes não percebo nada nem quero nada com isso! A senhora tire-me isso aí que eu prefiro pagar!
EU: Muito bem.
....................................................................
EU: Peço desculpa mas o programa deu erro. Vou ter que desligar o computador e voltar a ligar, por isso vai demorar um bocadinho.
ELA(com ar entendido): Faz-vos falta aqui um helpdesk, é o que é.

sábado, 20 de junho de 2009

Sentaram-se os dois à minha frente. Ambos pareciam caricaturas, com um penteado cheio de laca à anos setenta num cabelo muito preto, apesar da idade de ambos indicar que aquilo era tinta. Usavam camisas garridas e tinham bigode. Sorriam da mesma maneira e ao mesmo tempo. O da direita fez as apresentações:
- Boa tarde! Eu sou o Abel Maciel e aqui o meu irmão é o João Antão.
E eu pensei:
- Está explicado, os pais eram poetas!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Quando eu tinha uns cinco anos, nasceu na vizinhança um bebé sem genitais, o que causou como é óbvio grande mágoa na família e consternação na pequena comunidade. Só eu não percebi porque motivo aquilo era considerado uma desgraça tão grande. E como não podia deixar de ser, interroguei a minha mãe:

- Mas não era pior ter nascido sem braços ou pernas?
- Não! Isto é muito mau, coitadinho!
- Mas porquê? Não lhe fizeram um furinho para ele fazer xixi como as meninas?
- Fizeram... mas é mau.
- Mas porquê???
- Porque... é.
- Sim, mas porquê???
E a minha mãe teve a ideia brilhante que a iria safar do entalanço:
- Porque quando ele for para a escola, nas aulas de ginástica, como é que vai tomar banho ao pé dos outros colegas? Vai ter vergonha!

Eu, embora continuasse a achar que era pior não ter uma perna e que ele podia sempre tomar banho em casa, aceitei a explicação e abandonei o combate. Mas não totalmente convencida. Afinal, aquilo que lhe faltava era uma coisa sem jeito nenhum (pelo menos as que eu já tinha visto, de bebés da família), que devia dar um desconforto incrível ali pendurada e isto tudo só para urinar! A natureza tinha sido muito mais simpática para nós, as mulheres!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Era um homem e uma mulher na casa dos sessentas e sentaram-se à minha frente. Ela mais afastada e ele no lugar mais próximo, com ar decidido.

ELE: Eu venho trazer aqui um assunto complicado!
EU: A sério? Então vamos lá ver se é ou não!
ELE: Esta senhora (e apontou para ela), que é minha vizinha, tem um problema.
(Ela assentiu com a cabeça)
ELE: A mulher que é dona do terreno ao lado não o limpa há anos e depois aquilo, já se sabe, é só rataria e doenças! Pode-se fazer alguma coisa?
EU: Sim, a senhora expõe a situação por escrito e nós remetemos às autoridades competentes.
ELA: Ai senhor A*******, escreva você que eu não tenho jeito nenhum para isso!
ELE: Então pois escrevo! Eu vim consigo para ajudar!
(E começou a escrever, mas ia falando ao mesmo tempo)
ELE: Sabe que ainda ontem, estava eu a cortar a relva lá no quintal, apanhei um "liscanço" para aí deste tamanho (afastou os braços para dar a ideia da enormidade do bicho).
EU: Mas então o senhor também tem o mesmo problema no seu quintal?
ELE: Eu não! Quer dizer, isto foi lá no quintal da D. M****. Eu vou lá dar uma ajudinha de vez em quando.
(Ela continuava a assentir com a cabeça)
EU: Mas então o senhor mora lá perto. Pode assinar como testemunha...
ELE: Oh menina... como é que lhe hei-de dizer? Isto é assim: Ela graças a Deus é viúva, eu sou "desvorciado"...
EU: Sim...
ELE: Quer-se dizer... a gente para aí há uns quatro anos que moramos na casa dela. Mas isto não convém dizer.
EU: Quer dizer que os senhores vivem em união de facto então.
ELA: Não não! Quer dizer... Não convém dizer!
EU: Mas porquê?
ELE: As pessoas não tomam a bem não é? Nós com esta idade... e já fomos os dois casados e temos filhos e netos... Quer-se dizer... as pessoas sabem não é? Mas não convém dizer.
(E ela sempre a assentir com a cabeça)
EU: Mas os senhores não têm que dar satisfações a ninguém da vossa vida! Nem ninguém tem nada com isso!
ELE: Pois não graças a Deus! Mas ela assim já desta idade, viúva, com um homem "desvorciado", as pessoas falam não é? Não convém dizer!

E eu não me estiquei mais em considerações porque me pareceu que não devia. Eles vivem a fingir que não são pessoas com as necessidades das pessoas nem as fraquezas das pessoas, porque os outros podem falar, porque já passaram da idade aceitável para namorar e porque uma viúva tem que se remeter ao velório eterno para ser respeitável. Pelo menos lá no sítio onde ambos vivem, ao lado do terreno que ninguém limpa. Eu sei que pensei imensas coisas sobre o assunto... mas não convém dizer.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Juraria que ali é mesmo o centro de Portugal. Quer dizer, se fosse possível pegar numa fita métrica e ir por ali fora a medir, largura e altura, estaríamos no ponto onde as duas linhas se cruzam. Muitas estradas estreitinhas com muitas curvas, impróprias para enjoados, e pinhais... imensidões de pinhais, a confirmar que D. Dinis andou por ali a interagir com a natureza como nos ensinaram na escola.
O automobilista vindo da capital já só sabia uma coisa: Estava no meio de pinhais. O que não é bom quando se tenciona chegar a algum sítio concreto. Almas vivas, nem vê-las. GPS's, só os inventaram uns anos depois. Até que finalmente, do meio das árvores surgiu uma figura de mulher, com um molho de lenha à cabeça mais volumoso do que ela toda. "Estou safo" - pensou. E dirigiu-se até ela que, com ar desconfiado, olhava para trás e dava corda às pernas.
- Oh minha senhora, faça favor! - gritou ele aproximando-se ainda mais e abrindo a janela do lado do pendura para lhe falar.
Aí é que foi. A mulher largou a lenha e desatou a fugir em pânico como se tivesse visto o diabo. Nunca mais se viu.
Ali, mesmo mesmo no meio de Portugal.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Mas não foi a primeira vez que isto me aconteceu na vida (refiro-me, claro, à história anterior).

Uns anos antes tinha ido passar um fim-de-semana à terra dos pais do meu sogro, para uma reunião de família. Como éramos muitos e seria uma confusão ficarmos todos na casa, alguns de nós (onde eu me incluía), dispuseram-se a ficar num hotel. Quem fez as reservas foi a minha sogra e, no dia em que chegámos, ela anunciou-nos que tinha arranjado uma pensãozinha muito jeitosa, moderna e muito mais em conta do que o hotel, que ela achava um desperdício pouco cristão. Não gostámos muito da ideia, mas como se costuma dizer nestas alturas, o que não tem remédio remediado está. Ela explicou-nos onde era e nós lá fomos, três casais cada um com uma criança de colo. Depois de nos fartarmos de andar a pé por entre ruelas manhosas na parte velha da cidade, lá demos com o local, que tinha a porta fechada. Estranho, uma pensão com a porta fechada...
Batemos. Veio abrir-nos a porta uma, como direi, senhora idosa. Bastante idosa. Vestida com um robe de cetim azul-turquesa, de rolos na cabeça, lábios pintados de vermelho bem vivo e a fumar uma cigarrilha. "Bonito!" - pensámos todos ao mesmo tempo.
Mas não, ainda não tinha acabado. Os nossos magníficos quartos ficavam no último andar sem elevador nem casa de banho, que era comum e ficava ao fundo do corredor. Ao lado da cama, tínhamos um bidé. Lamentámos mentalmente a abençoada ingenuidade da minha sogra, pousámos as malas e fomos à nossa vida, desejando que o dia seguinte chegasse bem depressa para irmos embora dali.
E nessa noite, andaram três casais com três crianças de colo a correr todos os bares da pequena cidade, com as crias a dormir, a fazer de propósito para chegar bem tarde à pensão e estar lá o mínimo tempo possível, adormecer bem depressa e não dar por aquilo que todos achávamos ia ser, sem dúvida, "uma noite animada".

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A fronteira é sempre, de certa forma, terra de ninguém. Era aí que estávamos a chegar quando decidimos que era hora de parar e jantar. A escolha que se impunha: Do lado de cá, ou do lado de lá? Acabámos por escolher o lado de cá para disfrutar dum jantar mais simples e leve antes de entrar em Espanha, onde cada refeição significa lubrificar o aparelho digestivo de forma a ficarmos com dotes de faquir por umas horas. Estávamos nestas considerações quando notámos uma casa à nossa esquerda, pintada de cor-de-rosa vivo e com a indicação "RESTAURANTE" em letras bem gordas num anúncio. Parecia limpinha e até tinha algumas roseiras a crescer à entrada, bem diferente das tascas de camionista da zona. Estava escolhido.
Estacionámos ao pé dos vários Mercedes de várias cores. Entrámos e fomos logo conduzidos a uma mesa por uma rapariga loira-oxigenada de vestido brilhante e justo muito decotado. Na única mesa ocupada além da nossa, vários homens de aspecto bruto jantavam já.
- Temos febras grelhadas e salmão grelhado! - anunciou a rapariga do vestido brilhante.
Perante a nossa estranheza informou que não, não havia menu, nem entradas, apenas pão. Justificou-se com o facto de estarem abertos há pouco tempo.
Já arrependidos da escolha feita, lá optámos pelo salmão.
Enquanto esperávamos, distraí-me a analisar a decoração do espaço, coisa que pelos vistos apenas uma mulher se lembra de fazer. Era estranha. Várias réplicas de pinturas clássicas de nus preenchiam as paredes à mistura com fotografias que diziam "Paris mon amour". As cortinas eram floridas e com folhos muito kitsch. Nada era coerente com nada. Depois, começaram a surgir lá de dentro, por uma cortina pesada que dizia "acesso restrito" várias raparigas, todas loiríssimas e todas com indumentárias pouco adequadas ao trabalho num restaurante. Para além de mim, não havia ali mais nenhuma mulher que não fosse loira e não tivesse um vestido justíssimo, curto e com um decote até ao umbigo. "Para quê tanta gente para servir meia dúzia de mesas?" - interroguei-me.
Pela primeira vez, desconfiei que não estava num restaurante.
Alguns minutos mais tarde, uma das raparigas, de saia branca muito curta e top, posicionou-se no meio da sala, pegou num microfone e começou a cantar "Besame, besame mucho...", com voz de bagaço. Enquanto isso, surgiu outra personagem: Um matulão de camisa às flores que era visivelmente o patrão da casa e que elas tratavam por Yuri.
Tive então a certeza que não estava num restaurante.
Aí, pensei claramente duas coisas:
1. Que se lixe, sempre fico com uma história para contar no blogue.
2. Vou acabar de comer bem depressa antes que a gaja se dispa.

domingo, 14 de junho de 2009

- O burro ao contrário! Venham ver o burro ao contrário!
Era isto que berrava um homem à entrada duma tenda montada na aldeia, excitando a imaginação do público. Eram pessoas de vida muito dura que viviam longe de tudo no meio de pedras de granito. Nunca tinham qualquer divertimento a não ser, de quando em quando, um forasteiro nómada, de vida tão dura e difícil com a deles, que passava a exibir numa tenda uma qualquer criatura com uma qualquer deformidade. Por isso só mesmo os que de todo não puderam dispor do tostão necessário para pagar a entrada resistiram a ir ver o que já supunham ser um animal com a cabeça no lugar da cauda ou qualquer outro malvado capricho da natureza.
O homem da tenda recolheu o dinheiro das entradas mas manteve as pessoas todas à espera, que só podiam entrar quando estivessem as suficientes para encher o recinto e todas duma vez. O animal não se podia cansar.
Quando finalmente lhes foi franqueada a entrada, o que eles viram lá dentro foi um burro comum, virado de costas para o recipiente da comida.
Às primeiras tentativas de reclamação, o dono da tenda retorquiu veemente:
- Mas está ao contrário ou não está ao contrário?
É um facto que estava ao contrário.
Nessa mesma noite a tenda partiu para nunca mais se ver naquelas paragens e mais de metade da aldeia tinha abdicado duma quantia importante para as suas economias. Por todo o lado sabia a amargo, mas o orgulho não lhes permitia admitir que tinham sido enganados.
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Esta era mais uma história que o meu avô nos contava, entre brincadeiras. Nunca ficámos a saber se ele era um dos que tinham perdido um tostão para ver o burro. Quando lhe perguntávamos, ele sorria e virava-nos as costas. Melhor ainda, nem nunca ficámos a saber se a história era verdadeira.

sábado, 13 de junho de 2009

Naquela aldeia encaixada entre dois montes, como em todas as aldeias, vilas e cidades de Portugal, ter uma representação da última ceia na sala de jantar era tão fundamental como ter uma mesa. Talvez porque a semelhança da cena com as refeições reais das pessoas que ali viviam fosse tão dolorosamente evidente (pouca comida, muita gente), mas ao mesmo tempo tão reconfortante visto tratar-se de personagens de tal envergadura e ainda assim tão iguais aos mais simples. Naquela aldeia encaixada entre dois montes todas as representações da última ceia eram iguais porque eram pintadas pela mesma pessoa, o único que num raio de muitos quilómetros era capaz de pegar num pincel e transformar tintas em imagens perceptíveis, por isso respeitado por todos. Só que apesar da rudeza do rosto e das mãos, aquele artista, como todos os artistas do mundo, ansiava ardentemente produzir algo fantástico, saído do mais fundo do seu ser, que não se limitasse à cena daquelas treze pessoas partilhando um pão que era corpo e um vinho que era sangue. E foi com essa vontade queimando-lhe na alma que decidiu ousar, acrescentando uma personagem à cena: Ele próprio, a um canto, assistindo como testemunha presente ao mais marcante episódio da civilização ocidental. Quando foi entregar o quadro o coração batia-lhe como quando era criança e ia roubar fruta aos quintais vizinhos, tentando antecipar a reacção do cliente. Quando a obra foi desembrulhada e exposta, encostada à parede mais iluminada da casa, o comprador pôs uma expressão intrigada. Tirou o chapéu e coçou a cabeça e repetiu este gesto mais duas vezes em silêncio, observando. Não sabia ler, nem escrever, nem contar. No entanto algo lhe dizia que qualquer coisa estava errada. Ao fim de uns minutos atreveu-se:
- Oh vizinho... Mas não está aqui um a mais?
- Um a mais? – o pintor aproximou-se com ar clínico
– Não! Estão os que deviam estar!
- Ia jurar que este aqui não devia cá estar... – e apontou o auto-retrato do canto, com um dedo esticado que perfurou o coração do artista.
- Olhe, está certo... – admitiu ele desolado
– Está aí um a mais sim senhores. Mas não faça caso que ele apareceu só para roer uma côdea e quando acabar abala!
O outro voltou a tirar o chapéu e a coçar a cabeça. Depois de alguns segundos que pareceram horas decidiu-se:
- Ora então assim sendo está muito certo. Deixe cá ficar o quadro. Quando ele quiser abalar eu entrego-lhe o dinheiro e digo-lhe que passe lá por casa para lho dar.
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Há uns dias ouvi algures que pior que morrer é ser esquecido. Esta história era-me contada pelo meu avô quando eu era criança. E esta é a minha homenagem ao meu avô José, que construía móveis e brinquedos, remendava sapatos, fazia crescer coisas da terra e contava histórias.
Ele já morreu.
Mas é para não ser esquecido.