Criar enormes redes de amigos não é uma necessidade de hoje quando se tem menos de vinte anos. Hoje, essa tarefa apenas é facilitada pela internet. Mas nós também o fazíamos, duma forma que hoje suscita tantas questões à miudagem como o mistério de termos que nos levantar do sofá para mudar de canal (quando passou a haver mais do que um).
Fazíamo-lo por carta. Sim, carta, aquelas coisas escritas em papel com esferográfica e metidas dentro dum envelope, que por sua vez leva um selo colado com cuspe e demora pelo menos um dia a chegar ao destinatário. Eu, por volta dos meus treze ou catorze anos, tinha um enorme grupo de amigos virtuais, que não conhecia pessoalmente, e com quem trocava ávida correspondência. Hoje, lembro-me particularmente dum rapaz que morava na Venda do Pinheiro. Trocámos mensagens sucessivas acerca da localização geográfica de tal sítio, eu a perguntar onde ficava e ele a responder-me que era ao pé da Asseiceira Grande. Até que desisti de perceber. Se ele me tem dito que era xis kilómetros a norte de Lisboa, tudo tinha sido simples. Mas acho que nesse tempo, o mundo de cada um era mais pequenino.
Duas irmãs, um rei
Há 1 mês

