- Tenho tantas coisas para tratar! Os terrenos, as casas, a papelada! Isto dá tanto trabalho! Se a gente vende qualquer coisa tem logo uma carga de trabalhos! E logo agora a minha filha quer que eu vá aos Estados Unidos. Vai ser um transtorno. Amanhã já vou!
- Deixe lá! - respondi eu - Aproveita para passear e esquecer as chatices por uns tempos!
- Pois... Mas é para ir ao funeral da minha netinha.
Quando ouvi isto, juro que pensei que estava a ouvir mal. Olhei para ela aparvalhada, à espera de mais qualquer coisa que me esclarecesse sobre tamanha descontracção. Ela começou a remexer na carteira à procura duma fotografia para me mostrar.
- Tinha 19 anos... Mas estava doente... Ah! Está aqui!
E passou-me para a mão a foto duma jovem negra, deitada num sofá com um ar bastante debilitado. Eu continuava sem palavras.
- E é assim. - continuou ela como se nada fosse - Eu por mim nem ia, não vou lá fazer nada! Mas a minha filha insistiu, insistiu... Paga-me as passagens e tudo!
A seguir, mesmo logo a seguir, voltámos à conversa sobre os registos dos terrenos.
Duas irmãs, um rei
Há 1 mês

