quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Era na porta da mesinha-de-cabeceira, aquele local insuspeito que não muitos anos antes só servia para guardar o bacio, que o meu pai escondia as leituras proibidas. Descobri isso numa das vistorias que fiz à procura das prendas de Natal e que acabou por ter um resultado muito mais suculento. Nem me lembrei mais das averiguações que levava a cabo para saber se sempre ia receber um gira-discos ou uma máquina fotográfica. O achado que tinha acabado de fazer bem mais importante. Os meus pais não estavam em casa nesse dia e a única pessoa que estava a tomar conta de mim era, felizmente, fanática por tachos e afins, pelo que dificilmente sairia da cozinha para vir à minha procura. Então, sentadinha no tapete de "carpélio" cor-de-rosa, calada como um rato, eu fui descobrindo o mundo naquele tempo inacessível das anedotas muito sujas, fotografias inqualificavelmente e chocantes e Vilhena. Sim. Acima de tudo apaixonei-me por Vilhena. Pelos textos irrepreensivelmente bem escritos a contrastar com o conteúdo escandaloso, pela crítica ácida e pelos desenhos perfeitos. Imaginei, sem o conhecer, que por trás daquelas criações refinadissimamente abjectas, estaria um cavalheiro, e isso anulava o sentimento de culpa. Voltei muitas vezes àquela mesinha-de-cabeceira, sempre que os meus pais saíam. Apenas sabia que tinha que decorar sem falha o lugar de cada livro e de cada revista, e o lado para o qual estavam voltados, para depois voltar a arrumar tudo exactamente como estava. O meu pai era muito meticuloso!
O que eu não aprendi sentada naquele tapete cor-de-rosa!...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ser uma das mais velhas no local de trabalho confere-nos, para além de alguma autoridade, o estatuto oficial de contadora de histórias. Se não fosse por nós, como é que os mais novos iam ficar a saber dos grandes escândalos de tempos idos? Quem lhes ia contar que aquela senhora respeitável de meia-idade já tinha sido apanhada na cantina a amar em cima das hortaliças do almoço? Como ficariam informados sobre a estranha vida sexual dos que já se reformaram? Dos engates clandestinos que toda a gente soube mas se perderam no tempo? Como? Porque ainda que alguns possam estar a pensar que isto são futilidades desnecessárias, eu não concordo nada! É muito importante manter viva a tradição oral dentro da organização e assim criar o sentimento de pertencer a um local com história. Ora nem mais!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu e a Cristina vínhamos da escola e, contrariando as constantes advertências dos nossos pais, decidimos entrar no parque e ficar um bocadinho a andar de baloiço antes de irmos para casa. Nunca tínhamos entendido o porquê da preocupação. Coisa de pais, desmancha-prazeres que fazem tudo para nos tornar infelizes, só podia ser! Então, pousámos as mochilas num canto, debaixo duma árvore e, divertidas como só as crianças conseguem ficar com tão pouco, voámos como loucas no baloiço.
A certa altura reparámos num homem duns cinquenta anos que, atrás duns arbustos ali perto, nos olhava fixamente com um aspecto alucinado. Abrandámos a velocidade do voo e ficámos a olhar para ele também. Na verdade, além de nos fixar, ele produzia com a mão direita dentro da braguilha, um movimento ritmado e repetido.
- O que será que ele está a fazer? - perguntou a Cristina.
- Sei lá! - respondi eu - Deve estar com problemas de bexiga. A minha mãe de vez em quando também tem.
E continuámos a andar de baloiço despreocupadamente, durante mais um bocado, com as nossas minúsculas saias a esvoaçar e levantando as pernas quando atingíamos a maior altura, dando gritinhos inebriados.

domingo, 27 de setembro de 2009

Não me parecendo que a senhora à minha frente tivesse qualquer tipo de deficiência, nem estivesse grávida, tive que lhe perguntar por que motivo tinha tirado tiquet de atendimento prioritário.
- Porque estou com pressa! - respondeu ela muito despachada.
- Vai-me desculpar, mas a pressa não é um motivo válido para tirar tiquet de atendimento prioritário.
- Então tiro qual? - continua ela - Se não tirar uma destas não sou atendida antes dos outros!
- Pois. O atendimento prioritário é para deficientes, grávidas, idosos, pessoas com crianças de colo e advogados.
- Então e quem está com pressa?
- Vem numa altura em que não esteja com tanta pressa. Eu não posso atendê-la com esse tiquet. Há muitas pessoas que chegaram primeiro.
- Sim, mas se não tiram tiquet prioritário é porque não têm pressa não é?

E enquanto argumentava com a mulher que não queria entender a lógica objectiva das prioridades, eu pensava como seria bom viver num mundo em que as pessoas fossem tão honestas consigo e com os outros, que até a pressa podia ser um motivo válido para atendimento prioritário nas repartições.

sábado, 26 de setembro de 2009

Eram oito da manhã, eu tinha acabado de tomar banho e ainda não sabia exactamente como me chamava, de onde vinha nem para onde ia, quando o telefone lá de casa tocou. Estranhei, não era costume àquela hora, e por uma fracção de segundo pensei que devia ter acontecido uma desgraça qualquer. Fui atender e do outro lado uma voz feminina perguntou se era eu.
- A própria - respondi.
- Bom diaaa!!! Eu sou a catequista do seu filho!
- Sim?...
- Sabe, eu tenho andado aqui a pensar... o Joãozinho disse um dia destes na catequese que a mãe não acredita em Deus nem vai à missa. A senhora acredita numa coisa destas?
- Acredito porque é verdade. Eu deixo-o ir à catequese porque ele quer, mas não faço questão nenhuma nem quero saber de nada disso.
Do outro lado, "ouvi" um silêncio. Imaginei que a megera tivesse caído para o lado e, satisfeita, preparei-me para desligar e ir à minha vida. Mas no último segundo, ela ressuscitou.
- Eu gostava de falar com a senhora sobre esse assunto! Posso ir aí a casa?
- Vai-me desculpar, mas nós não temos nada a conversar sobre este assunto. Eu não quero saber da religião para nada!
- Está bem - estas víboras sabem bem dar a volta aos assuntos - Mas eu gostava de falar consigo na mesma! Conhecê-la, só... Posso?
Nesta fase bem me tramou. Como é que uma pessoa que ainda se vai considerando bem-educada vai dizer a outra que não pode entrar lá em casa?
- Está bem, pode...
- Então logo às nove e meia da noite estou aí!
- Estou tramada! - pensei - Isto a mim só destes cromos e falta de dinheiro!
Mas que podia eu fazer? Já tinha fraquejado perante o inimigo. E às nove e meia em ponto, tal como tinha ameaçado, lá estava ela e o marido, também beato, a tocar-me à campainha. E mais ou menos até à meia-noite, enquanto comia os meus biscoitos e se alambazava no meu chá, a criatura insistiu com o dedinho indicador a apontar para o tecto que "Quem sabe se não será através desta criança que Deus vai entrar nesta casa?", enquanto que eu lhe tentava explicar que não perdesse tempo, nem o dela nem o meu, mas em vão. Às vezes não tenho mesmo sorte nenhuma!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma das experiências mais traumáticas que tive nos meus contactos com a igreja foi o baptizado da minha filha mais velha, ao qual tive que aceder por grande pressão do pai e respectiva família. Na altura pensei que, não trazendo nada de bom, mal também não faria. Pensar assim é uma das defesas possíveis do derrotado. E foi imbuída desse espírito que eu me dispus a dominar o meu estômago e frequentar as reuniões de preparação para o evento, na sé catedral da paróquia mais "bem" da cidade. Logo na primeira sessão, tivemos direito a um casal de beatos que piedosamente acedeu a partilhar connosco a sua imensa experiência e sabedoria de família cristã. E lá estava eu, sentadita numa cadeira a ouvir a récita e na verdade à espera que acabasse para ir embora. Só que aquilo que me fizeram nesse dia foi muito, mas muito pior do que poderia ter imaginado! Foi medonho! Não é que o prelector tinha escrito um texto sobre "a família e a educação dos filhos na doutrina cristã", com frases do género "quem vive em Deus escolhe amar" e "um coração decidido a amar acolhe Deus no seu seio" e outras que não me lembro, e foi ler aquilo enquanto a mulher, ao fundo, fazia avançar uma demonstração de slides com fotografias deles próprios?! Sim, juro! Fotos deles num churrasco, fotos deles a dar banho ao cão, fotos do casamento deles!... Tudo isto ao ritmo monocórdico dum texto imbecil lido por um lerdo! E acreditem, se se tratasse de duas pessoas de aparência normal, ainda mal o menos! O problema é que ele tinha os dentes de fora e uma franja e ela, era gorda, usava collants brancos e vivia permanentemente com um sorriso estúpido na cara, como se lhe estivessem a fazer cócegas e tinha um penteado em forma de capacete! Eu comecei a ver a minha vida a andar para trás e tentei pensar em coisas muito tristes. Baixei os olhos de modo a ver apenas os meus próprios joelhos e concentrei-me no funeral da minha mãe que até hoje felizmente ainda não morreu. Tentei ver-me a seguir o carro fúnebre com lágrimas nos olhos. A minha mãe, coitadinha, que não tinha visto crescer a netinha!... E acreditem, eu estava mesmo quase a conseguir. Se não fosse o palerma ter elevado a voz, a um determinado ponto da prelecção, e ter dito com elevação poética que "a família cristã é aquela em que Deus é reconhecido como objecto supremo" enquanto mostrava uma fotografia dele e da mulher a comer arroz de frango num piquenique, eu tinha conseguido chegar ao fim sem me rir. Assim, não deu. Nessa altura eu desmanchei-me numa gargalhada que já estava apertada na garganta desde que a minha mãe tinha ficado tuberculosa coitadinha... uma daquelas gargalhadas que quer sair mas ao mesmo tempo não quer e acaba por adquirir a forma dum cruzamento entre riso e espirro.
Toda a gente ficou a olhar para mim enjoadíssima, fiquei mal vista, e a minha sogra nunca me perdoou.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O azeite e o vinagre eram para mim substâncias alienígenas que eu me recusava a usar. Molhos, especialmente se levassem natas ou leite, eram proibidos lá em casa pela minha mãe que os achava nojentos. Pimenta não se usava. Por tudo isso, havia determinados pratos que se transformavam em pesadelos. Como por exemplo, pescada cozida. Sem qualquer tipo de tempero ou lubrificante, tratava-se da comida que eu mais odiava e que mais me custava a forçar pela goela abaixo. E nos dias em que eu vinha da escola, esfomeada, a imaginar pratos suculentos de galinha no forno ou esparguete com carne, já a sentir-lhes o cheiro e o sabor nas papilas, e quando entrava na cozinha e via à minha espera, escarnecedor, um prato com uma posta de pescada cozida, uma batata enorme e um ovo... só me apetecia cortar os pulsos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Era um homem idoso e sentou-se à minha frente com ar desanimado.

- Minha senhora... Eu venho aqui fazer uma queixa sobre um vizinho...
- Sim. O que é que se passa então?
- Ele faz as porcarias num balde e vai despejar à minha porta.
- Como?!
- Eu explico. Ele faz as porcarias, sabe, aquelas coisas que se fazem na retrete? Ela faz num balde. Depois despeja à minha porta.
- Mas porque é que ele faz isso???
- Ele é "estrambulhado". Mas eu é que não tenho culpa.
- O senhor já chamou a polícia?
- Chamei, ainda hoje lá estiveram. Muito simpáticos por acaso, era uma rapariga e dois homens. Mas eles a modos que olharam para aquilo... e disseram-me para vir aqui que vocês é que resolviam.

Pois - pensei eu cá para mim - a merda é para nós.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Fui cortar o cabelo. Quando cheguei ao trabalho, tive este diálogo surreal com uma colega:
- Foste cortar o cabelo! Mas não cortaste muito!
- Cortei dois meses.
- Dois meses? Como?
- Então, cheguei lá à cabeleireira e disse, "Tire-me dois meses."
- Ai tu fazes assim?
- Faço. Chego lá e digo quanto quero cortar. Uma mês, dois meses, três meses...
- Mas como? Não estou a perceber!
- Oh rapariga, a cabeleireira corta o que ele cresceu em dois meses, percebes?
- Mas como é que ela sabe?
- Olha, nem ela sabe, nem eu, nem ninguém. Isto é só uma conversa de m... e eu estava a brincar ok?
- Ah!!! Eh eh eh!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O calor. O pátio coberto por um pérgola de videiras. Os pés de piri-piri a rebentar de malaguetas vermelhas. Os coelhos fofinhos. As galinhas tolas a lançar penas por todo o lado quando lhe atirávamos pedras à socapa. O baloiço feito pelo meu avô debaixo da figueira. O telheiro. Os raminhos de chá a secar debaixo do telheiro. As árvores de fruto. As frutas carnudas com cheiros doces. As filas de alface a delimitar talhões de tomates, pepinos e cenouras. Os poços e as bombas manuais de tirar água fresca. Os gafanhotos verdes. As lagartixas verdes. As lagartas da couve. As couves onde nasciam as crianças mas só quando eu não estava a olhar. A relva com a roupa a corar. A minha mãe a bater nos tapetes pendurados com uma raquete. o tanque enorme. O milho. A terra. Os nossos brinquedos espalhados no pátio. O triciclo. O Anglia bege telecomandado do meu irmão. A minha boneca espanhola que dizia "te quiero mucho". O muro alto. As pedras salientes onde nós subíamos o muro alto para espreitar a rua. O alecrim. A erva-doce. A tília. Os gatos vadios. A casa amarela de janelas grandes viradas ao sol. Os meus vestidos frescos. As minhas sandálias azuis e brancas. As floreiras no corredor. A colcha bordada a lã de muitas cores. As moscas furiosas. As tiras à porta a travar as moscas. Os lírios. Os malmequeres. Os grilos a cantar nas noites quentes. A roupa a secar. O meu avô a matar coelhos para o jantar. A minha tia a matar galinhas. Eu a fugir para dentro de casa para não ver morrer os coelhos nem as galinhas. Eu a acariciar o pelo dos coelhos mortos como se lhes aliviasse a dor que já não tinham. O calor.
Recordações de verão numa casa que já não existe numa aldeia que já não o é.

domingo, 20 de setembro de 2009

Foi na festa de anos duma amiga, quando eu tinha dez anos. Lembro-me bem que tive que chorar baba e ranho para que os meus pais me deixassem ir ao aniversário duma miúda que não conheciam e nem sabiam se era de boas ou más famílias e que morava no fim do mundo. Depois de irmos até à última paragem do autocarro ainda tínhamos que andar dois quilómetros a pé para chegar à casa dela, o fim!... Foi a minha primeira grande aventura longe da supervisão paterna.
Quando chegámos a casa da Celeste, vimos que não havia lanche, nem bolo de anos, nem balões coloridos, nem nada! Só uma pequena mesinha redonda com um prato de tremoços e uma jarra de sumo verde que não sabia a nada.
- Despachem-se, - disse-nos ela - roubei cigarros ao meu pai, vamos para o milho.
- Para o milho?! - perguntei - Fazer o quê?!
- És mesmo estúpida! Anda embora!
A Celeste era uma miúda loira muito sardenta, filha duma família de agricultores. Tinha uns olhos azuis e redondos muito inocentes que lhe davam imenso jeito e, tanto quanto vim a saber mais tarde, continuaram a dar-lhe imenso jeito pela vida fora.
Mas continuando, segui-as pelo campo até ao milho, que era a planta mais alta e que melhor nos camuflava, onde nos embrenhámos até uma mini-clareira no meio que tinha sido previamente aberta, estrategicamente, pela nossa anfitriã. Aí, sentámo-nos no chão e ela começou a distribuir cigarros daqueles sem filtro e fez circular uma caixa de fósforos. Eu estava aterrorizada:
- A minha mãe não me deixa fazer isto!
- Pois, nem as nossas! - responderam-me - Por isso é que viemos para aqui.
Acabei por fumar (se é que se pode chamar isso a tossir vezes sem conta) uma coisa daquelas. Com apenas alguns tremoços e um copo de corante verde no estômago, sentia-me zonza e prestes a levantar voo por cima do cereal. A sensação que tinha era a de que estava a fazer uma coisa terrível, como atropelar um cãozinho com a bicicleta. Fumar, para os meus pais, era uma coisa tão pecaminosa como o sexo, coisa que viria mais tarde a provocar-me a mesma sensação de estar a ser uma criminosa sem perdão. Mas isso foi mais tarde...

sábado, 19 de setembro de 2009

Se toda a gente fumava, então eu tinha que fumar também. Não podia correr o risco de ser considerada uma choquinha, ou uma menina da mamã. Pelo estilo, tudo!
Foi, então, com grande determinação, que eu acendi o meu quase primeiro cigarro aos doze anos de idade. Odiei, e já sabia que odiava. Era amargo e agredia a minha garganta ainda hoje híper-sensível. De cada vez que aspirava o fumo duma daquelas coisas diabólicas, era como se me estivessem a furar as cordas vocais com pregos. Mas, durante um ano, um ano inteirinho, eu treinei-me de forma impecável para sorrir como se estivesse a gostar tanto daquilo como gostaria de que a minha mãe me aumentasse a semanada dez vezes, enquanto pegava no cigarrito entre o dedo médio e indicador da mão direita, muito esticados, e fazer uns gestos subtis e leves com a mão ao mesmo tempo que arrotava umas postas de pescada entre amigos. Esteticamente, era o máximo!
Claro que todos os dias tinha que ter o cuidado de chupar umas pastilhas de mentol antes de entrar em casa, lavar os dentes com uma dedicação sobrenatural, encher a roupa de perfume e refundir o maço de tabaco debaixo do colchão para que os meus pais nem sonhassem. Mas na minha percepção do mundo, era um investimento que compensava.
No entanto, todos nós crescemos e amadurecemos. Passamos a ter uma visão diferente das coisas e eu, aos treze anos e dez dias, muito convencida da minha maturidade recém-adquirida pela chegada do período, depois duma profunda auto-análise, concluí que estava farta de fingir que gostava daquilo. Peguei no resto dos cigarros que tinha em casa e, revoltadíssima comigo mesma, com a porcaria dos conceitos estéticos e com a minha parvoíce, disse:
- P... que p... esta porcaria! Quero mais é que esta m... se f...!
E assim, meus amigos, posso dizer que deixei de fumar aos treze anos de idade.