A minha avó, que já não está connosco, gostava de dar longos passeios a pé, a ver quintas e casas que imaginava um dia comprar. Tão longos que chegou a acontecer ver-se no meio de aldeias vizinhas que já não conhecia e ter que pedir ajuda para voltar. Um dia vinha muito indignada. Num desses passeios, ela e uma amiga, já cansadas e com calor, resolveram entrar num cafezinho, que pela descrição dela era mesmo uma taberna, para tomar uma laranjada.
Chegaram-se ambas ao balcão de pedra e esperaram. O taberneiro, ainda que rude mas num gesto de cavalheirismo que era o melhor que conseguia dar, quando viu duas senhoras bem postas e desconhecidas ali ao balcão do seu modesto estabelecimento, chamou-as com um movimento de olhos para um lugar mais recatado, lá dentro ao pé dos barris, e numa voz muito discreta para que não o ouvissem os quatro homens que jogavam dominó numa mesa com uma toalha de oleado, chegando-se a elas com um cotovelo apoiado na pedra e um pano da loiça ao ombro, perguntou:
- Branco ou tinto?
Duas irmãs, um rei
Há 1 mês

