Ainda certas coisas como os telemóveis e outras coisas do género eram coisas para além da imaginação de qualquer mortal, já o meu pai me dizia que se não aprendesse a trabalhar com computadores seria uma analfabeta como quem naquele tempo não sabia ler nem escrever. Eu não entendia o que ele queria dizer com aquilo porque os únicos computadores que conhecia eram os dos filmes e das séries de ficção científica e, quando me imaginava, qual mister Spock em versão feminina, a descodificar cartões perfurados que saíam de máquinas gigantescas cheias de bobines numa qualquer nave espacial, achava que o meu pai, coitado, não devia andar a bater bem. Apesar disso aquela mensagem entranhou-se-me na cabeça de tal forma que fui uma das primeiras a comprar um spectrum e os respectivos calhamaços que ensinavam linguagem BASIC, divertindo-me então a fazer programas complexíssimos que permitiam dizer qual era o maior de dois algarismos ou fazer uma conta de somar. Mais tarde, assim que tive uma oportunidade, fui aprender MS-DOS, UNIX, e depois a versão mais primitiva do Windows. No fundo, vivia um bocadinho preocupada com a ideia de vir a ser uma analfabeta apesar de saber ler e escrever sem erros.
Há muito que pude concluir que o meu pai, muito antes do tempo, estava cheio de razão. Só me espanta que ele próprio não tenha qualquer interesse em aprender informática e só se digne a passar por um computador a uma distância segura.
Duas irmãs, um rei
Há 1 mês

