Saímos para caminhar um pouco aproveitando uma noite menos má neste outono que já começa a esfriar. A certa altura, numa rua pouco movimentada apenas com alguns bares e restaurantes, vimos adiante uma mulher muito jovem com aspecto preocupado que pareceu um pouco aliviada por nos ver. Quando nos aproximámos ela abordou-nos. Estava um bocadinho envergonhada, o que reforçou a ideia de que fez aquilo porque estava numa situação limite. Que tinha mesmo que abordar o primeiro estranho que aparecesse:
- Desculpem - disse ela com as mãos encrespadas junto à gola do casaco - eu sei que isto vai parecer um bocadinho estranho mas... podiam tirar aquela aranha do meu saco?
Olhámos na direcção que ela apontava e lá estava, atirado no chão, um saco de viagem sobre o qual passeava despreocupada uma pequena aranha, daquelas que o povo classificou como portadoras de dinheiro.
O meu marido enxotou a aranha com um jornal. Ela agradeceu. Eu, numa reacção primária e imediata, ri-me. Mas arrependi-me logo a seguir.
Duas irmãs, um rei
Há 1 mês

