Vi com alguma antecedência uma senhora idosa, apoiada numa bengala que, parada no passeio com ar amedrontado, aguardava a oportunidade de atravessar a estrada. Travei e fiz-lhe sinal para que passasse. Ela assim fez e, enquanto atravessava muito devagarinho devido às dificuldades de locomoção, reparei na sua fisionomia amarga. Quando ela chegou sensivelmente ao meio da estrada parou. Pensei que estava cansada, mas não. Estava apenas (ou era mesmo) azeda. Nessa altura voltou-se na minha direcção e começou a ameaçar-me com a bengala no ar enquanto proferia palavras que eu não ouvi mas me pareciam pragas de bruxa.
É para eu aprender a ser como os outros todos que se borrifam para os velhinhos que querem atravessar a estrada em hora de ponta.
Duas irmãs, um rei
Há 1 mês

