Há alturas em que nos estão a contar uma história e, depois dela acabar, nós ainda ficamos à espera do resto. Isso acontece porque na nossa cabeça a história não faz o mesmo sentido que faz na cabeça de quem conta. Era uma coisa que me acontecia frequentemente com a minha ex-sogra, senhora cujo habitat era (e é) um micro-cosmos onde os costumes são os de há muitos séculos.
- O Tio A****** casou com a Tia F******* - contava-me ela um dia - apesar do seu passado. Ela trabalhava num quiosque.
Eu fiquei calada com a mesma atenção com que estava no início, à espera de me ser revelada qualquer coisa fantástica como a Tia F******* gerir, a partir do quiosque, uma extensa rede de prostituição e tráfico humano. Mas afinal não. Era só mesmo aquilo.
Noutra ocasião ela contava-me que a Tia M**** foi afastada da família durante muitos anos porque se tinha enamorado dum advogado famoso na terra, com quem manteve uma relação. E lá fiquei eu mais uma vez com ar de parva à espera que me dissessem que esse advogado vivia uma vida dupla, tinha uma família completa com muitos filhinhos noutra cidade ou então que era suspeito de ser um perigoso serial-killer. Mais uma vez estava enganada. A história já tinha terminado e, naquele clã, fazia todo o sentido repudiar um dos seus por manter uma relação sem casar.
Duas irmãs, um rei
Há 1 mês


