domingo, 23 de novembro de 2008

Passei por ela na rua, na hora de almoço. Apressada e nervosa, mas perdida. Era uma mulher de meia-idade e com aspecto rural:
- Oh minha senhora! Sabe-me dizer "adonde" é a segurança social?
Expliquei-lhe. De onde estávamos, não era difícil. Preparei-me para ouvir o "muito obrigada" da ordem e virar as costas, mas não. Ela tinha necessidade de mais:
- Sabe, eu tenho que lá ir entregar estes papéis - e abriu o saco para eu ver que tinha mesmo papéis - que são do meu marido. Sabe que ele não deixa ninguém mexer nos papéis que são dele. Se ele descobre! Mas a minha filha foi lá, e sem ele saber, roubou-lhe isto. E ainda um cheque! Ai se ele descobre!
Sem saber o que lhe responder nem que reacção ter, dei-lhe um sorriso amarelo. Como quem diz "que história tão gira, agora deixa-me ir embora". Ela deve ter percebido. Ou não. Porque enquanto se afastava, ainda se virou para trás uma última vez e gritou:
- Quando morrer, deve pensar que leva tudo com ele! Deve levar deve!

6 comentários:

mfc disse...

Se ele (se) descobre... constipa-se!

A Senhora disse...

Sorte dela que não casou-se com meu sogro, senão seriam pilhas e pilhas de jornais velhos que ele guardou para ler um dia... E ai de quem tirar uma página de anúncio!

Deve pensar que leva tudo com ele! :)))

Castanha Pilada disse...

mfc, que piada tão gira! Looooollll!!!!

Senhora, a sério?! Mas já alguém experimentou, assim de verdade?

Emiele disse...

Mas olha que é uma história triste.
Eu oiço histórias de pessoas que conversam imenso comigo quer na paragem do autocarro, quer mesmo lá dentro quando se sentam ao meu lado (ainda um dia invento um blog para essas histórias, ou crio uma categoria lá no Pópulo...)
Acho triste por tudo. A necessidade da senhora de desabafar. A atitude desconfiada do marido. E, afinal, o que é que ela ia fazer à Segurança Social?...

Espera! Reli e parece que não me expliquei bem: é uma história triste mas muito interessante, heim?!

A Senhora disse...

Sim, já alguém tentou. Mas como era só uma nora atrevida, a única nora, esta preferiu esperar que os ratos façam ninhos maravilhosos, ou então que de repente aquilo pegue fogo. Aliás, minha sogra vai à igreja pedir, ardorosamente, para que isso ocorra. Por enquanto, só conseguiu que as empregadas fossem embora...

Castanha Pilada disse...

Sim Emiele, é triste a história destas mulheres que vivem no medo dos maridos...

Coitadinha da senhora, lol!