sábado, 2 de janeiro de 2010

Há alturas em que nos estão a contar uma história e, depois dela acabar, nós ainda ficamos à espera do resto. Isso acontece porque na nossa cabeça a história não faz o mesmo sentido que faz na cabeça de quem conta. Era uma coisa que me acontecia frequentemente com a minha ex-sogra, senhora cujo habitat era (e é) um micro-cosmos onde os costumes são os de há muitos séculos.
- O Tio A****** casou com a Tia F******* - contava-me ela um dia - apesar do seu passado. Ela trabalhava num quiosque.
Eu fiquei calada com a mesma atenção com que estava no início, à espera de me ser revelada qualquer coisa fantástica como a Tia F******* gerir, a partir do quiosque, uma extensa rede de prostituição e tráfico humano. Mas afinal não. Era só mesmo aquilo.
Noutra ocasião ela contava-me que a Tia M**** foi afastada da família durante muitos anos porque se tinha enamorado dum advogado famoso na terra, com quem manteve uma relação. E lá fiquei eu mais uma vez com ar de parva à espera que me dissessem que esse advogado vivia uma vida dupla, tinha uma família completa com muitos filhinhos noutra cidade ou então que era suspeito de ser um perigoso serial-killer. Mais uma vez estava enganada. A história já tinha terminado e, naquele clã, fazia todo o sentido repudiar um dos seus por manter uma relação sem casar.

5 comentários:

Paula Raposo disse...

Histórias a que eu chamo, do arco da velha!!
Beijos.

A Senhora disse...

Quase como as histórias que eu conto, às vezes sem pé, outras sem cabeça, outras sem os dois. Só para matar os outros de curiosidade. :))

bjs

kuka disse...

Agora conta histórias da ex do filho.

Castanha Pilada disse...

Paula, da velha eram pelo menos!

Senhora, tal e qual!

Kuka, até aposto.

Mariquinhas disse...

Vai se lá saber porquê, mas, essa tua história fez-me lembrar a canção "Anel de Rubi" - quando O Rui Veloso canta -
"(...)ai o que eu passei só por te amar
a saliva que eu gastei para te mudar
mas ese teu mundo era mais forte do que eu e nem com a força da música ele se moveu(...)"
Digo eu -sempre é melhor quando falamos a mesma "linguagem" :))