domingo, 5 de abril de 2009

As duas mulheres abordaram-me na rua, talvez porque o ar relaxado com que via montras tivesse indiciado alguma disponibilidade da minha parte:
- Desculpe menina, podemos fazer-lhe uma pergunta?
- Faça - disse eu, enquanto pensava que, se fosse as horas tudo bem, se fosse uma direcção qualquer estavam com azar porque eu não era dali.
Não sei porque raio eu penso sempre, num primeiro momento, que os jeovás que me abordam me vão perguntar as horas. Caio sempre nessa. Só dou pela marosca quando vejo a "Despertar" ou a "Sentinela" a insinuar-se para mim enrolada atrás duma pastinha. Nessa altura dou a nega, mas isso acontece geralmente após a primeira pergunta, que me parece, por isso, despropositada.
- A menina sabe dizer o que vai estar a fazer daqui a dez anos? - perguntaram elas em tom de aquecimento para uma longa seca.
Durante uma fracção de segundo, ainda pensei: - "Isto em Lisboa é mesmo só malucos, deve ser o stress." - mas logo depois percebi-lhes o esquema.
- Não - respondi secamente. Aos jeovás eu respondo sempre por monossílabos e geralmente chega duas ou três respostas para que eles desistam.
- Pois nós podemos revelar-lhe o plano que Deus tem para si! Está interessada?
- Não.
- Mas acredita em Deus, não acredita?
- Não.
- Então acha que tudo o que existe apareceu do nada?
- Sim.
Aí sim, puseram uma cara de estupfacção e ficaram caladas enquanto eu me afastei.
- Estas eram das difíceis - pensei - foi preciso quatro respostas.

8 comentários:

A Senhora disse...

Aqui eles não pegam na rua, mas em casa. Normalmente às 10h30! Já até marquei os horários. Então, quando tocam a campainha nesse horário, posso estar fazendo absolutamente nada, saio com uma colher na mão como uma louca que deixou a panela no fogo. Pego qualquer coisa que eles me colocam na mão e digo ainda que eles passam nuns horários bem estranhos para umas donas de casa ocupadas.
Ah, sim! Eu moro numa esquina, na outra é a igreja deles - parece que sou passagem obrigatória: quem me levar até lá ganha o céu! :))

Emiele disse...

Tem piada falares nosso, porque devem andar a preparar uma investida em grande.
na rua já nem me abordam, porque não sei porquê quando vejo mulheres de maia idade aos pares, olho logo para as mãos a ver se encontro os famosos folhetos e nem para para dar a resposta à pergunta inicial.
Mas agora batem á porta.
Já foi por duas vezes.
Eu espreitei pelo ralo, e não abri.
Então durante um bom pedaço de tempo, esforçaram-se por enfiar o papel por baixo, pelo lado, por cima, por tudo o que pareceu frincha da porta... Olhem que foi uma trabalheira e lá encontraram um local onde o papelinho abriu caminho e caiu dentro da minha casa. Vou ver se calafeto melhor a porta!!!!

Emiele disse...

Ah, outra coisa: parabéns pela música!
Isto está bem animado!!!

Taralhoca disse...

Eu quando vejo um par de avozinhas chegar-se à minha beira sem que tenham nas mãos sacos de um peso quase insuportável, que exijam a minha prestimosa ajuda,acelero o passo já de si veloz. Quando me perguntam se sei onde vou estar daqui a 10 anos (a frase de engate típica) já só ouvem o meu sim a passar.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

devem ser iniciantes, caso contrário teria, prosseguido com uma lição sobre a "impossibilidade de viver sem a existência de Deus".
Durante uns tempos chateavam-me em casa. Até ao dia em que coloquei um cartaz na porta que dizia:
"Aqui vive um ateu empedernido. Por favor, não insista".
Passado um ano retirei-o e nunca mais voltei a ser incomodado.

Castanha Pilada disse...

Senhora, aqui tamb+em "pegam" em casa. É gente cheia de estratégias.

Emiele, mas eu dos papelinhos gosto, dão óptimas ilustrações! Quanto à música, eu sou fã do Fausto!

Taralhoca, mas eu sou muito educadinha.

Carlos, desculpa mas nessa é que eu não acredito. Eles até à casa do Bin Laden iam se soubessem onde é!

Nós, Os Cachorros!!! disse...

Kakakaka
Adoro-te porque tens respostas para tudo!!!
Es direta!!!

Castanha Pilada disse...

Dizer não e sim é facílimo!!! Lol!