quarta-feira, 8 de abril de 2009

Foi o primeiro dia de efectiva liberdade da minha vida. Depois de muito massacrar, os meus pais deixaram-me ir numa excursão da escola sozinha. Era apenas até à capital de distrito mais próxima, que ficava a sessenta quilómetros mas, sem auto-estradas, tivemos que sair de madrugada e voltar à noitinha.
Nesse dia comportei-me como um animalzinho que tinha enlouquecido dentro duma jaula e se viu repentinamente do lado de fora. Embebedei-me, fumei o que havia e me ofereceram e portei-me mal duma forma que as velhas da vizinhança, se soubessem, afiançariam que jamais alguém casaria comigo. Antes de regressarmos a casa comemos várias pastilhas de mentol entre risos histéricos, para que os nossos pais nada descobrissem nos nossos hálitos.
Quando entrei em casa, muito discreta e completamente zonza, descobri que os meus pais tinham estado o dia inteiro a preparar uma surpresa para mim. Cansados e com um ar infantilmente feliz, abriram uma porta e mostraram-me um quarto novinho em folha que me tinham estado a preparar, com uma mobília moderníssima lacada a branco e uma colcha psicadélica a condizer com as cortinas.
- Gostas? - perguntaram-me ansiosos.
E eu, de mochila na mão e com a cabeça a pesar tanto como uma montanha, metade de droga e outra metade de culpa, pus-me a chorar:
- Mas para que é que vocês fizeram isso??? - perguntava eu.
Eles acharam estranho, mas que eu saiba até hoje, nunca desconfiaram de nada.

11 comentários:

A Senhora disse...

Menina mimada... :)))

Castanha Pilada disse...

Mais ou menos! :)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Menina má!

Monday disse...

que sorte ... normalmente, os pais sabem de tudo, embora nem sempre falem ...

kuka disse...

Pais inteligentes.

Gi disse...

Os pais sabem muito e tu deves saber isso, cero? ;)

Castanha Pilada disse...

Carlos, má não. Mimada! Diz a Senhora...

Monday, Gi e Kuka, isso é capaz de ser um bocado mito não? Digo eu...
Mas é bom que os filhos pensem assim.

Nós, Os Cachorros!!! disse...

Kakaka hilária como sempre!!!
Imagino como se sentistes!!!
Maravilhosos pais os teus!!!

Castanha Pilada disse...

Senti-me culpada até aos ossos!

Emiele disse...

Que estranho tinha ideia de que ao ler este post tinha deixado um comentário, e não o vejo... Deve ter ficado só na minha cabeça.

Castanhinha, recordações assim são mesmo preciosas. Comoveste-me com esta memoria, revivi cenas semelhantes, de ternuras inesperadas e por isso mais intensas ainda. Eu tenho tentado reproduzir esse modelo que recebi dos meus pais com o meu filho - oxalá o esteja a conseguir.

Castanha Pilada disse...

Agora vê lá como é que ele se porta! Lol!