segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu e a Cristina vínhamos da escola e, contrariando as constantes advertências dos nossos pais, decidimos entrar no parque e ficar um bocadinho a andar de baloiço antes de irmos para casa. Nunca tínhamos entendido o porquê da preocupação. Coisa de pais, desmancha-prazeres que fazem tudo para nos tornar infelizes, só podia ser! Então, pousámos as mochilas num canto, debaixo duma árvore e, divertidas como só as crianças conseguem ficar com tão pouco, voámos como loucas no baloiço.
A certa altura reparámos num homem duns cinquenta anos que, atrás duns arbustos ali perto, nos olhava fixamente com um aspecto alucinado. Abrandámos a velocidade do voo e ficámos a olhar para ele também. Na verdade, além de nos fixar, ele produzia com a mão direita dentro da braguilha, um movimento ritmado e repetido.
- O que será que ele está a fazer? - perguntou a Cristina.
- Sei lá! - respondi eu - Deve estar com problemas de bexiga. A minha mãe de vez em quando também tem.
E continuámos a andar de baloiço despreocupadamente, durante mais um bocado, com as nossas minúsculas saias a esvoaçar e levantando as pernas quando atingíamos a maior altura, dando gritinhos inebriados.

7 comentários:

A Senhora disse...

Para mim o que valeu foi ter escutado minha mãe dizer nunca pegar carona de ninguém, mesmo conhecidos. Foi por pouco.

Mas a inocência da idade torna as coisas mais simples e o divertimento continua... :)

bjs

Castanha Pilada disse...

Senhora, acho que a gente não tinha noção. Nenhuma.

R. disse...

Assustador! :|

Gi disse...

Escusavas de ser tão expressiva e detalhada no final... nós já tínhamos percebido a imagem. :)

Mariquinhas disse...

Esse, também, era o perigo do Jardim que eu ia com os meus irmãos - valeu-me eles serem mais velhos e protegerem-me, os meus pais também não ficavam tranquilos e muitas vezes eu ia sem eles saberem. Havia preocupação mas não explicavam, podia ser por tanta coisa...já eu, com os meus filhos fui mais explícita - quando eles começaram a andar sozinhos.

Emiele disse...

Muitas vezes tem-se a ideia de que algumas perversões são de hoje... Hoje são mais visíveis e denunciadas, mas a coisa vem de longe.
Tive uma experiência desse tipo mas mais grave, o tipo era mesmo exibicionista (dos de gabardine) e eu tão miúda que depois perguntei em casa o que era aquilo que o senhor trazia ali. Tinha-me feito impressão e repulsa.
Não tinha irmãos e nem sabia o que é que os homens tinham naquele sítio.

Castanha Pilada disse...

R., nós não nos assustámos nadinha! Lol!

Lol, Gi, desculpa teres ficado mal-disposta.

Mariquinhas, íamos lá nós adivinhar que os jardins, os nossos sítios preferidos, eram também os mais perigosos...

Emiele, na verdade o nosso amigo também fez questão de mostrar o material. Mas eu achei tão estúpido mesmo assim termos ficado a pensar que era só dificuldade a fazer xixi que nem quis contar.