segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A voz. Pode não ser tão importante como a imagem. Não precisamos de ser todos cantores líricos nem locutores de rádio, mas hoje tive a sensação que, digamos, numa escala de um a dez, a voz tem uma importância para aí de... bem, não sei.
Eu estava num restaurante, daqueles barulhentos, com muita gente, e algures no meio da confusão comecei a distinguir o som duma mulher que se lamentava e chorava. Achei estranho e varri a área com o olhar à procura do foco do drama. Bem ao contrário, o que se passava era que uma mulher jovem, loura e medianamente apresentável, duas mesas à frente da nossa, elogiava a carteira duma amiga, numa conversa totalmente banal:
- Tão gira! Onde compraste? Foi nos saldos? Ou já é da nova colecção?
A particularidade é que a criatura tinha uma voz horrível! De cada vez que abria a boca, parecia que estava em pranto, num choro esganiçado entre galinha choca e perú bêbedo! Imaginei-a a cantar um fadinho e contive-me para não desatar às gargalhadas. Loucura!
Mistério resolvido, desliguei dali e voltei a concentrar-me no meu peixe grelhado com migas e no meu vinho branco. Mas uns minutos depois, pareceu-me que de novo alguém chorava, mas desta vez num tom mais grave de quem acordou de manhã e emborcou três bagaços de seguida. Voltei a olhar na direcção do som e vinha da mesma mesa. Era a mãe da miúda anterior (de certeza, tirava-se pela pinta), que também tinha começado a falar.
A sério! - pensei eu - Aquelas duas estão a passar ao lado duma brilhante carreira de comediantes! Um sketch com as duas numa série da BBC nem precisava de texto, bastava pô-las a elogiar carteiras!

7 comentários:

A Senhora disse...

Menina, quando mudei-me para Uberlândia, Minas Gerais, interior do Brasil, coloquei Davi na escola. Estava com 2,5 anos. Logo na segunda semana, tudo, absolutamente tudo o que ele falava era chorando. Aquilo estava me irritanto. Não havia motivo para chorar para dizer que o carrinho era bonito, que queria comer queijo ou seja lá o que for. Daí eu percebi que ele queria falar como os coleguinhas. O sotaque horrível!
Hoje ele fala como um legítimo paulista com todos os "djis" e "tchis" e Rs. :)))

Castanha Pilada disse...

Não faço a mínima de qual seja o sotaque de Uberlândia, o paulista conheço. Mas o problema das senhoras da minha história não era sotaque, o delas era igual ao de toda a gente à volta: portuga puro.

Mariquinhas disse...

Eu sou muito sensível à "voz" e a minha preferência é para as vozes graves.Para além de haver vozes, mais, ou menos, desagradáveis, o que eu também noto é o tom alto que, de um modo geral, se fala, sobretudo, em Lisboa.
Ai, carga genética...são várias as vezes que confudem, ao telefone, a voz da minha filha com a minha, vá lá que a minha voz não é assim tão má :))

Fernando R. Silva disse...

Se o papo já não era bom, com a voz descrita então...Diga, Castanha Pilada, conseguiste termianra de comer seu peixe grelhado? :)

Castanha Pilada disse...

Mariquinhas, tens ido a Espanha? :) Por falar em falar alto...

Fernando, claro que consegui! Entre mim e a minha comida, nada!!! :)))

Paula Raposo disse...

Há cada voz! Sem dúvida. Beijos.

Castanha Pilada disse...

Ah pois há.