quarta-feira, 29 de julho de 2009

Eu tinha doze anos e tinha acabado de chegar ao liceu mais carismático da cidade, aquele onde toda a gente queria poder dizer que tinha andado. Ele era finalista. Eu não o conhecia de lado nenhum e ele a mim, muito menos. O que quer dizer que me ignorava totalmente. Era assim uma espécie de matulão com um lindíssimo cabelo loiro liso pelos ombros. Fazia-me lembrar um dos meus ídolos da música na altura e, desde o primeiro dia, não consegui tirar os olhos dele. Não lhe sabia o nome, nem a idade, nem se estudava letras ou ciências, só sabia que era a coisa mais gira que andava naquele liceu todo e eu queria conhecê-lo. Partilhei estas angústias com uma colega que, a partir daquele momento, decidiu que ia ajudar-me com a mesma convicção com que se entra como voluntário para a Cruz Vermelha. Fez disso uma missão.
Uns dias depois, chegou-me ofegante de manhã. Já sabia de alguém que o conhecia! Por isso, ia apresentar-me a essa pessoa (uma prima dela mais velha que também estudava lá) e depois a prima apresentava-me a ele. Plano perfeito! Nos dias que antecederam o acontecimento, eu juro que até dormi mal!
Até que o momento chegou. O meu coração batia descompassadamente. Só me lembro vagamente duma voz que dizia:
- Este é o Joaquim! Joaquim, esta é a *****!
E depois, uma vozinha de falsete:
- Olá *****!

E foi aí que acabou o meu primeiro sonho de um tórrido romance. O meu herói chamava-se Joaquim e falava como os sobrinhos do Pato Donald!

6 comentários:

Mariquinhas disse...

Lol..A "vozinha"- a Voz é tão importante!!! O nome ainda vá que não vai, logo que não lhe chamassem "Quim" eheheh - à Castanha não lhe escapava nada, cachopa com bom gosto, hein?!

A Senhora disse...

Vozinha dos sobrinhos do Pato Donald é terrível!!! :))))
Fico imaginando ele dizer do que gostava em você... sempre com aquela vozinha...
Acho que eu começaria a detestar tudo o que ele dissesse que gostava.:)))

bjs

Paula Raposo disse...

Às vezes é melhor não tentar conhecer e ficar só pela imagem mesmo....beijinhos.

Gi disse...

Ainda não tinha feito a mudança de voz, pá! ;)

Emiele disse...

:) estava a pensar mais ou menos o que disse a Gui, tadito. Nessas alturas há uns falsetes muita estranhos...
mas claro que a voz é fundamental. Para mim é das coisas mais eróticas que um tipo pode ter (ou não ter...)
E tenho «um herdeiro» que leva isso quase ao exagero. Há umas meninas quem nem são grande coisa mas ele diz que têm uma vozes... ai, ai... E sei de uma que até achava gira e ele disse logo »Oh mãe, já ouviste a voz?!»

Castanha Pilada disse...

Mariquinhas, fiquei tão desiludida que me apeteceu chorar! Lol!

Senhora, era mais ou menos como os sobrinhos do Pato Donald. :)))

Paula, é isso. Ir mais além pode ser perigoso.

Gi, aos 18 anos???

Emiele, o rapaz é sensível à voz, que mal tem? :)))