terça-feira, 28 de julho de 2009

Tive uma convivência difícil com os anos oitenta. Dei-me mal com a música que me parecia sempre igual e depressiva. Dei-me mal com os folhos. Dei-me mal com os vestidos pretos de rendinhas brancas à criada de servir. Dei-me mal com os penteados. Dei-me mal com os móveis e as cortinas. Dei-me mal com os sapatos muito altos e finos que se enfiavam em todos os intervalos de todas as pedras de calçada. Dei-me mal com aqueles espelhos com as quatro estações a imitar Mucha que já ninguém aguentava. Dei-me mal com as mesinhas redondas e as camilhas. Dei-me mal com a maquilhagem à prostituta espanhola.
Quando olho para as minhas fotografias desse tempo, concluo que só me consegui conciliar com as calças e saias de lycra, as sabrinas e uns camisolões por cima disso tudo.
Ainda hoje me pergunto quem raio se lembrou de inventar aquelas modas...

9 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Com a música até me dei bem. Grandes músicas, principalmente na primeira metade da década.

bell disse...

E as caneleiras de malha à "Fame"? Usaste dessas?

Castanha Pilada disse...

Carlos, foi birra minha de certeza. Mas ainda hoje não gosto muito.

bell, essas escaparam-me.

Paula Raposo disse...

Também não me dei muito bem...beijos.

Mariquinhas disse...

Castanha era tal e qual, o retrato está muito bem tirado, vou só acrescentar: os enchumaços, drapeados, camiseiros com patinhos bordados na ponta dos colarinhos ou outros motivos de caça..., foram anos, verdadeiramente, infelizes no que tocou à moda! Eu dei-me tão mal que, andei "fora de moda", adoptei o estilo étnico, na altura comprava-se roupas indianas e ia-se a Marrocos com alguma facilidade, usava sapatos chineses de pano ou veludo preto e por vezes de cores, no verão chinelos indianos de cabedal, tudo muito artesanal. Cheguei a tingir tecidos e confeccionar as minhas roupas, sobretudo calças largas, camisolas tricotadas à mão, com a ajuda da revista "100 Idées" - era assim um tanto ao quanto "freak", ou então, como hoje se diz, tinha um "estilo "alternativo":)).
Os meus colegas de trabalho diziam com graça : - "és muito prática, não perdes tempo, deitas-te e levantas-te já vestida" - era uma maneira carinhosa de dizerem que eu andava vestida de pijamas...Lol
Quanto à música, mantive-me fiel à música popular portuguesa, aos brasileiros - Chico Buarque, Caetano, Tom Jobim, Milton Nascimento, aos Pink Floyd,Police/sting, alguns do Jazz, enfim, tantos outros...

A Senhora disse...

Puxa! Eu até demorei a responder - que raios eu estava fazendo nos anos 80?!
Daí eu lembrei... Foi uma época meio maluca, que a última coisa que pensaria seria em roupa e música. Estava tudo virando de cabeça para baixo, grandes perdas, grandes conquistas.
Eu só me lembro bem de um sapato vermelho de salto alto. Ser obrigada a trabalhar com roupas sociais tem lá suas vantagens. Eu era tão magra que o apelido era Barbie e combinava com o sapato vermelho. :))

bjs

Emiele disse...

Tenho de começar a ler cá em baixo, porque me distraí e isto ao ritmo de um por dia!!!

pois a moda só é bonita quando está em pleno... Eu tenho sempre alguma dificuldade em a seguir: quando começa raramente me agrada; depois habituo-mo; e quando vem a moda nova já não quero largar a antiga!!! lembro-me de diversas vezes em que isso aconteceu.

Castanha Pilada disse...

Paula, então não estás sozinha.

Mariquinhas, os enchumaços eram um atentado!!!!!!! Como me fui esquecer deles? E a revista 100 ideés (não eram 1000?), um ícone.

Senhora, sapatos vermelhos e brancos, também se viam muito os brancos.

Emiele, e vai-nos acontecendo cada vez com mais frequência, acredita. Agora há aquelas calças de arejas a... que eu acho inenarráveis, será que algum dia lhes vou achar piada?

Saltapocinhas disse...

E as permanentes no cabelo??