segunda-feira, 27 de julho de 2009

A minha escola era dividida em duas: Uma para as meninas e outra para os rapazes. As duas absolutamente simétricas e paredes-meias. A dividi-las, um muro. Não um muro alto como se poderia supor sabendo que era terminante proibido a qualquer fêmea passar para o lado dos machos e vice-versa. Era propositadamente um muro baixinho que nos dava pelo joelho, a lembrar que o poder de persuasão do regime valia por todos os muros.
As meninas, nesse tempo, dividiam-se em quatro grupos distintos, segundo o comportamento que evidenciavam na hora do recreio:
1. As que brincavam sem sequer se lembrar que havia um recinto proibido a uns escassos metros.
2. As que assomavam até perto do muro, a medo, tentando imaginar o que seria poder brincar do outro lado, mas não se atreviam a mais.
3. As que subiam o muro durante escassos segundos tremendo com varas verdes, fingindo uma coragem que não tinham e sabendo que levariam uma boa dose de reguadas se fossem apanhadas.
4. As que, de facto, saltavam o muro e faziam uma espécie de streak pelo recreio dos rapazes voltando logo de seguida ao seu habitat natural. Todas lhes aplaudiam a imensa coragem. Mas no fundo, também todas sabiam que essas estavam condenadas a nunca ser ninguém na vida.

7 comentários:

Taralhoca disse...

O facto de ter sido educada em tempos em que quer o regime, quer os muros eram história, ou seja, à molhada com os rapazes, roubou aos ditos muito do seu fascínio.
Não passávamos anos a interrogarmo-nos sobre a espécie, sabíamos à partida que era fraquinha, sem porte para aguentar um pontapé com dignidade.

A Senhora disse...

Nos meus 3 últimos anos de escola antes da faculdade foi numa escola parecida. As classes é que eram só de meninas ou só de meninos. Aliás, já moças e rapazes. No meu último ano desistiram da bobagem. Na hora do intervalo sempre havia o namorico. Daí a coisa se acalmou. Nem tudo o que a gente achou que era boa coisa era coisa boa. :)

bjs

Marina disse...

Acabei de dar conta (estava sem som) que estamos a ouvir "Conan, o homem rã"!!!

Ai que saudades dos meus tempos de Universidade! eheheheh

Emiele disse...

Por acaso nunca andei em escolas dessas (dos «Centenários» não era?) mas era tal como dizes.
E, está de acordo com a idade que fossem mais as meninas a pular a cerca do que os meninos. Nessa idade acham que as meninas são umas parvas, nada de confraternizar...

Castanha Pilada disse...

Taralhoca, nós só sabíamos que eram do planeta ao lado.

Senhora, e deu-lhes para isso tão tarde porquê?

Marina, o Conan é um clássico, lol!

Emiele, sim, são as dos centenários.

Paula Raposo disse...

Eu andei num colégio só de meninas. Fazíamos umas maluqueiras quando so rapazes passavam de vespa à porta do colégio!! Eh eh eh

Castanha Pilada disse...

:))) Imagino...