sábado, 14 de novembro de 2009

A minha profissão assemelha-se muitas vezes à de barman, mas sem álcool. Quando uma pessoa nos abre o coração e a vida sem o auxílio do torpor que a bebida causa, é porque o quer fazer. Porque de alguma maneira estranha confiou em nós para nos contar um segredo, ou uma angústia, ou uma alegria. Muitas vezes, sentimos que temos que respeitar aquele momento como uma confissão.
Por isso, por sentir que seria quase uma violação, não fui capaz de contar aqui a história de emigração que me contou hoje aquela mulher russa que insistiu em preencher sozinha o formulário quase sem conhecer o português escrito e que constatou que depois de seis anos a trabalhar como operária já não sabia reproduzir a caligrafia irrepreensível de quando era professora. Às vezes fico assim. Acontece.

6 comentários:

A Senhora disse...

É... às vezes fica constrangedor, mesmo, contar sobre as histórias dos outros...
Eu sempre, quando venho aqui, espero este tipo de sentimento como o narrado agora.
(Fiquei com dozinha da senhora... na verdade,eu uso tanto o teclado do computador que a minha letra beira o ilegível) :)))


Carlos do Carmo... Prazer em conhecer! :)

Castanha Pilada disse...

Mas ela era mesmo por usar demasiado máquinas mais brutas. :(

O Carlos do Carmo é (quase) o único fadista que eu aguento. :)

Emiele disse...

Também já tinha pensado que no teu trabalho não era só anedotas, como muitas que aqui contas.
Já por algumas vezes tens deixado aqui algumas observações que nos deixam aqui com uma bola no estômago...

Castanha Pilada disse...

Sim, é verdade, às vezes aquilo dói.

Gi disse...

Eu sabia que tu, lá no fundo, eras uma rapariga sensível.

Castanha Pilada disse...

Viste? :)))