quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Quando os meus filhos eram pequenos, o meu pai, já reformado, levava-os a dar uns passeios pelos arredores. Com uma particularidade: Assim que chegavam à aldeia ou vila mais próxima, a uns dois ou três quilómetros de distância, dizia-lhes que tinham chegado ao Japão. Deste modo, os meus filhos passaram uma parte das suas infâncias convencidos que o Japão era um lugar com um largo, uma casa do povo, um café e uma capela, onde se chegava em menos de um quarto de hora.
Um dia fizemos as nossas primeiras férias no Algarve. O meu filho tinha na altura uns cinco anos e passou as cinco horas da viagem toda a massacrar-me, de dez em dez minutos, com a pergunta: "Ainda falta muito?"
Quando chegámos finalmente a Vilamoura, o puto estava mais do que desesperado e jurava a pés juntos que nunca, mas nunca mais, mesmo sem ter experimentado as praias nem as piscinas, iria ao Algarve. "Mas porquê?" - perguntei-lhe. "Isto é mais longe do que ir ao Japão!" - respondeu-me ele, agastadíssimo.

7 comentários:

A Senhora disse...

:)))

Isso poderia até ter virado expressão. Muito boa! :)

Mariquinhas disse...

Que delícia:))
Sabes Castanha, os terceirenses chamam aos micaelenses japoneses, devido ao nosso sotaque. Em pequena passava férias na terceira, terra da minha avó e volta e meia ouvia alguém dizer, a sorrir, - "vou até ao Japão" - a minha avó, orgulhosa de ser da Ilha Terceira, explicou-me
logo o que significava...;))

Castanha Pilada disse...

Senhora, virou. Na família. :)

Mariquinhas, vejo que o Japão tem as costas largas, lol!

Paula Raposo disse...

Eh eh eh boa!!

Emiele disse...

O engraçado é as crianças aceitaram essa ideia do Japão. E o avô dizia como imagem de distância ou mesmo como brincadeira?
..........
Tem graça a mariquinhas falar dos sotaques nos Açores, porque aquele sotaque cerrado que costumamos associar sempre aos Açores é realmente de S. Miguel; as outras ilhas são «normais» :)

Gi disse...

Ahahahah. E é mesmo. O Alentejo é que "é já ali".

Castanha Pilada disse...

Lol Paula, nunca mais me esqueci dessa.

Emiele, o meu pai dizia que era o Japão. E dizia-o muito sério. Como é que os putos não iam acreditar?

Gi, desculpa lá, comparado com o Japão, o Alentejo também é um esticão do caraças!