segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sou do tempo pré-pedagógico em que nos ensinavam a história de Portugal como se fosse um filme de acção, uma batalha entre os bons (nós) e os maus (os outros), em que os bons saíam sempre vitoriosos. Para isso era necessário, claro, mentir e omitir, o que não tinha importância nenhuma perante os mais altos valores do patriotismo. Os episódios mais violentos do nosso passado colectivo eram sempre exaltados e descritos de forma extremamente gráfica, ou para nos glorificar ou (se fosse caso disso) para nos vitimizar dando-nos razão. Eu, devo dizê-lo, gostava de história. Acreditava em tudo e achava que nenhum povo era tão glorioso como o nosso. Quando descobri, mais tarde, que não era verdade, tive um desgosto tão grande como quando me disseram que eram os pais que compravam os brinquedos no Natal, mas isso é matéria para outra história.
Hoje, gosto particularmente de recordar a forma como eu imaginava os episódios sangrentos que a professora nos contava. Quando aprendi, por exemplo, que no dia 1 de Dezembro de 1640, o secretário da regente de Portugal foi fenestrado pelos bravos revoltosos, nunca me passou pela cabeça que o tivessem atirado duma altura superior ao rés do chão. Depois, ele levantava-se empoeirado e com a peruca de lado, como nas comédias do Vasco Santana, sacudia-se... e fugia a correr até Espanha, assustado.

10 comentários:

papagaio disse...

fugia para espanha e depois trazia a espanholada toda a atras dele

Emiele disse...

Essas 'glórias' contadas às crianças é mesmo tal e qual como o Pai Natal. Só quando mais tarde se começa a estudar História Universal, com os países todos à molhada é que podemos ter uma parcela de imparcialidade. E mesmo assim...
:)

A Senhora disse...

Mas eu adorei essa sua versão! até consegui ve-lo limpar-se todo! :))))

Monday disse...

bem, seja como for, foi jogado janela afora ... altura é mero detalhe ... rssss

Taralhoca disse...

Eu nunca tive uma visão tão meiga da história. Imaginava não só que o lançavam do arranha-céus da época, mas também que em seguida os fenestrantes saltavam janela fora para lhe caírem em cima e acabarem o serviço. A minha história é um bocadinho mais "gore"...

mfc disse...

Que se há-de dizer de um país que nasceu da violência doméstica de um filho para com a sua mãe??!!

Gi disse...

Eu também acreditava que éramos valentes e imortais.

Castanha Pilada disse...

Espanholada Papagaio?!

Tens razão Emiele, mesmo assim. Mesmo assim!

Não é muitíssimo simpática a minha versão Senhora? Obrigada por concordares. :)))

Monday, não é nada detalhe! Se fosse a ti, tanto fazia? Lol!

Porra Taralhoca! Eu sempre fui uma pacifista!

mfc, tens razão. Mas olha que há piores. A esse nível claro.

Quem não acreditava Gi? :)))

Aura Sacra Fames disse...

Um verdadeiro romance camoniano, no Brasil ainda ensinam a história conforme manda a hiper-realidade e o Quarto Poder.

Abraços
aurasacrafames.blogspot.com

Castanha Pilada disse...

A história é sempre subjetiva. Mesmo que a gente não queira!